10 dicas de política para um feliz ano novo

10 dicas de política para um feliz ano novo – Aos que sonham disputar e vencer as eleições de 2018 e com isso, pensam também em derrotar o golpe de 2016, aqui vão as 10 dicas:

10 dicas de política para um feliz ano novo

1) Estamos em pleno período histórico de ofensiva da direita, consequentemente, a esquerda está em defensiva;

2) Esta ofensiva da direita, que não é só no Brasil, conseguiu articular e executar um golpe, que em meu entendimento, é um golpe de Estado;

3) Golpes de Estado tem por objetivo mudar radicalmente uma determinada política em implementação e implementar outra.

10 dicas de política para um feliz ano novo
10 dicas de política para um feliz ano novo

No caso brasileiro, a política que estava sendo implementado nos governos Lula/Dilma era de inclusão social, desenvolvimento econômico e social e com soberania.

Após o golpe de Estado de 2016, há a implementação de uma política de exclusão, de miséria, de subordinação do Brasil aos interesses estrangeiros;

4) Os interesses da classe econômica e política ainda não foram totalmente executados, vide, por exemplo, a reforma da Previdência Social que ainda não foi aprovada pelo Congresso Nacional;

5) Golpes de Estado não são executados para permitir que inimigos de classe voltem ao governo logo após o golpe;

6) O pré-candidato do PT à presidência da República, para disputar as próximas eleições, depende da boa vontade da classe econômica e política, que manda no Estado e em suas instituições (Judiciário, entre eles) e Poderes (Legislativo, entre eles).

E foi a classe econômica e política que patrocinou o golpe de Estado de 2016;

7) Assim como os interesses de classe ainda não foram todos contemplados após o golpe, e por conta até das eleições previstas para 2018, é que setores da classe econômica e política veem as eleições de 2018 como um obstáculo as aprovações de interesses desta classe social.

E para quem executou um golpe de Estado, não custa nada adiar as próximas eleições. Lembrando: a direita está em ofensiva e a esquerda em defensiva;

8) O PT pode e deve lutar para tentar fazer com que Lula seja candidato – caso haja mesmo as eleições –, mas nunca esquecer que a governabilidade desta questão não passa pela esquerda, pelos movimentos sociais ligados ao campo da esquerda, que, relembrando, é minoria na sociedade e ainda por cima, em defensiva política, mas caberá à direita, a classe econômica e também política, decidir o que será de 2018 e depois.

9) Entender que é possível a esquerda vencer as eleições de 2018 e ainda por cima,entender ser possível derrotar o golpe de 2016, via eleições, é realmente ignorar que no Brasil houve um golpe de Estado em 2016, além de que está apostando em uma força da esquerda que ela já mostrou não ter no momento, pois houve o golpe e está havendo a implementação de uma política neoliberal de forma radical na economia, e o campo da esquerda não teve forças para impedir o golpe e muito menos está tendo forças para impedir a implementação do neoliberalismo no país. Diante desses fatos, como manter entusiasmo e apostar todas as fichas nas eleições de 2018?

10) Os que pensam ser possível a esquerda vencer as eleições de 2018 e consequentemente governar para reverter todas as medidas já feitas pelo governo golpista de Michel Temer, é ignorar a conjuntura política que é desfavorável para a esquerda, e pior, além de ignorar o cenário desfavorável para a esquerda é achar que a conjuntura política de ódio contra a esquerda e contra o Partido dos Trabalhadores já está se desfazendo na sociedade porque as massas estariam demonstrando nas pesquisas de opinião que rejeitam o governo e o golpista em cargo de presidente, Michel Temer.

A desaprovação contra Temer e seu governo não significa que o ódio contra a esquerda e o PT está se desfazendo na sociedade.

Se Lula está aparecendo em primeiro lugar sempre, nas pesquisas de opinião, é porque seu discurso até agora não é de confronto com o capital, pelo contrário, deve ser porque Lula está fazendo um discurso apaziguador, de fazer com que tudo continue socialmente normalizado.

Aliás, se houver mesmo eleições neste ano, será para dar um ar político de normalidade. Nada mais. E tudo indica que o Congresso Nacional continuará tendo maioria de cerca de 80% de parlamentares de direita, e a esquerda, incluindo o PT e o PCdoB, cerca de 20%.

Com uma bancada desse tamanho, a se confirmar, um futuro e improvável governo de orientação de esquerda,nunca conseguirá reverter medidas como, por exemplo, a PEC do teto dos gastos públicos.

As condições materiais serão ainda mais difíceis do que a realidade encontrada por Lula em janeiro de 2003. Pelo que vimos acima, talvez à principal dica de política para 2018 e sempre, é para encararmos a política tal qual ela é, sem ilusão.

Cláudio Ritser - autor de Política sem Ilusão
Cláudio Ritser – autor de Política sem Ilusão

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: