Análises e críticas a possível tática eleitoral do PT eleições 2018

Análises e críticas a possível tática eleitoral do PT eleições 2018  – Analistas políticos tentam analisar o atual cenário eleitoral diante das pesquisas de intenção de votos e de personagens que se colocavam dispostos a disputar à presidência da República, tais como, Luciano Huck e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.

Lá se iam exercícios de análise ou de futurologia. Huck anunciava sua intenção de concorrer às eleições, depois, renunciava. Fez isso mais de duas vezes. Joaquim Barbosa também anunciou desistência.

 

Analistas um pouco mais calejados não perdiam e não perdem tempo com tais aparições e nem com suas desistências.

 

Em períodos pré-eleitorais e em certos cenários com muitas denúncias, ataques de nível ético e moral, torna-se um ambiente propício para balões de ensaio, em que indivíduos que tiveram certa relevância em determinado período político, como o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, e indivíduos que estão na mídia há um bom tempo, principalmente e fundamentalmente por estarem apresentando programas de televisão de entretenimento e/ou de sensacionalismo, como, por exemplo, Luciano Huck também colocasse seu nome.

 

É com o tempo, às vezes curto, às vezes de médio prazo, que as candidaturas vão se consolidando ou se desidratando ao ponto dos indivíduos irem anunciando suas desistências.

Análises e críticas a possível tática eleitoral do PT eleições 2018

Análises e críticas a possível tática eleitoral do PT eleições 2018 
Análises e críticas a possível tática eleitoral do PT eleições 2018 
A consolidação de uma candidatura não se dá apenas com o seu percentual de intenção de votos, mas há um conjunto de fatores, que poderíamos citar, como exemplo:

 

i) o objetivo do indivíduo e do partido político, que poderá ser de curto, médio
e de longo prazo ou apenas fisiológico;

 

ii) conquista de apoio político entre outros
partidos;

 

iii) conquista de apoio político de setores sociais;

 

iv) conquista de apoio do
setor econômico.

 

Fato é que, dos exemplos acima, nem todos os elementos citados importam para todas as candidaturas que vão se consolidando.

 

Partidos de esquerda, com um discurso mais programático, com bandeiras mais firmes de responsabilidade social do que de responsabilidade fiscal, não visam à conquista de apoio do setor econômico e nem de outros partidos políticos que estariam no campo da direita, incluindo os que se dizem de centro, mas que em meu entender, são
ideologicamente de direita.

 

Nesse sentido, eu mencionaria a candidatura de Guilherme Boulos, do Partido Socialismo e Liberdade
(PSOL).

 

Outras candidaturas, que por mais que não estejam aparecendo com índices de intenções de votos significativos atualmente, como Marina Silva (REDE) e Geraldo Alckmin (PSDB), têm plenas condições de crescerem em intenções de votos no decorrer da campanha, principalmente e, sobretudo, quando começar a campanha eleitoral no rádio
e na televisão.

 

Continuo entendendo que o principal elemento na disputa eleitoral e ideológica nestas eleições de 2018 serão os ataques políticos contra o Partido dos Trabalhadores, contra os governos Lula e Dilma, nas questões ética/moral e econômica.

É a disputa da narrativa de que o PT e suas principais lideranças são corruptos e que é culpa do PT e dos governos Lula e Dilma a crise política e econômica que desempregou milhares de  indivíduos e que o impeachment foi fundamental para iniciar um trabalho de retorno do Brasil aos trilhos da responsabilidade e do crescimento.

 

Este argumento encontrará em milhares e milhares de indivíduos que deverão comprar este discurso por conta da alienação social, no qual fez do ódio ao PT e a esquerda sua principal razão de ser.

 

As candidaturas da direita deverão continuar usando este elemento de ódio e de ataques contra o PT e a esquerda,
que continua crescente e que deverá se confirmar ao termos os resultados das eleições desde ano, para todos os níveis em disputa.

 

Neste cenário de lançamento de pré-candidaturas e de desistência ao Palácio do Planalto, certos analistas atacam o Partido dos Trabalhadores (PT) que através de militantes e dirigentes nacionais, como, por exemplo, a própria presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que também está como senadora da República, por manifestarem
ser contra uma coligação com o pré-candidato Ciro Gomes (PDT).

 

Para certos analistas, é “burrice” do PT não querer coligação com Ciro Gomes, já no primeiro turno, por entenderem que o PT apoiando o presidenciável pelo Partido Democrático Trabalhista, este seria um candidato ideal do que eles chamam do campo de esquerda. Como se Ciro Gomes fosse um político ideológico de esquerda.

 

O grande equívoco destes analistas é continuarem a analisar cenários eleitorais e todo o processo político eleitoral
sem considerar o contexto político econômico social e cultural em que estamos, que é de golpe de Estado.

 

Quando se ignora que houve um golpe de Estado no Brasil, em 2016, é natural que os indivíduos ajam como se nada tivesse acontecido, ou considerem que a destituição da presidenta eleita Dilma Rousseff naquele ano, foi algo menor, algo que já precisa ser superado, inclusive pelo PT e pelo campo da esquerda como um todo.

 

Por isso, entendem que o cenário é de disputa inclusive com a mesma política de alianças de antes de 2016.

 

Este entendimento é um grande erro político, não por parte da direita, com seus analistas ou pseudo-analistas
políticos, que realmente trabalham na disputa da narrativa defendendo que o impeachment não foi um golpe, mas aos indivíduos que estão no Partido dos Trabalhadores e no campo da esquerda como um todo, que também passam
a entender ser possível disputar as eleições de 2018 com possibilidades reais de vitória e que por isso, até aceitam fazer alianças com partidos e/ou indivíduos que estiveram na articulação, movimentação e execução do golpe de Estado de 2016.

 

Fato é que no PT também há os fisiologistas que apenas visam futuros cargos e por isso, pouco importam aliar-se com quem derrubou o governo Dilma e o PT do governo federal, eles querem é eleger quem eles entendem que podem ganhar as eleições e aí tentar benefícios pessoas e/ou de terceiros.

 

Toda e qualquer análise política eleitoral que ignora o contexto de golpe de Estado, suas implicações políticas, econômicas e jurídicas, no curto, médio e longo prazo estão deixando de analisar elementos conjunturais
fundamentais que irão definir as eleições e a continuação do golpe e sua política neoliberal e de contínua perda de direitos e de conquistas da classe trabalhadora.

 

Nesse sentido, não seriam erros estratégicos do PT, que seriam, na opinião deles, de manter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como pré-candidato, que irão supostamente fazê-lo perder as próximas eleições, mas, sim, os elementos da conjuntura de um golpe de Estado, dado pela direita, pela classe burguesa, com a atuação da mídia,
do setor econômico, do Sistema de Justiça, entre outros.

 

Sendo que a classe social que dá um golpe de Estado, não dá um golpe para permitir que seus inimigos de classe

“voltem ao governo logo após a execução do golpe de Estado.

Análises e críticas a possível tática eleitoral do PT eleições 2018

 

A disputa da eleição presidencial, por parte do PT, assim como as disputas nos estados e para o Congresso Nacional, não devem se dar com partidos e/ou indivíduos que contribuíram para a execução do golpe de Estado, em 2016, caso tenha como objetivo partidário denunciar e enfrentar a narrativa do golpe e manter vivo sua identificação com frações da classe trabalhadora que ainda se identifica com o Partido dos Trabalhadores.

 

Caso o objetivo do PT seja apenas eleitoreiro, deverá permitir toda e qualquer coligação esdrúxula visando ganhar eleições, não se importando com o simbolismo e luta histórica do PT que continua sendo um grande partido político brasileiro do campo da esquerda.

 

São nestes pressupostos, da importância do Partido dos Trabalhadores no cenário político ideológico e cultural brasileiro, que analiso e faço a análise acima.
Cláudio Ritser - autor de Política sem Ilusão e "2016: Golpe de Estado e a Volta do Neoliberalismo" (Multifoco, 2018)
Cláudio Ritser – autor de Política sem Ilusão e “2016: Golpe de Estado e a Volta do Neoliberalismo” (Multifoco, 2018)

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d blogueiros gostam disto: