Barbárie política e cultural impede avanço civilizatório

Barbárie política e cultural impede avanço civilizatório – A ideologia do campo conservador, por princípio, entende como natural a exploração do homem pelo homem, em que uns indivíduos são mais humanos do que outros, e que por isso, toda a desigualdade social é algo natural e todo pensamento e forma que vai de encontro com tais princípios, valores e moral, é visto como algo a ser eliminado, seja de que forma for, e não só no âmbito político ideológico do debate, mas atacando e objetivando eliminar o outro indivíduo.

Dessa forma, a direita em sua prática política, alicerçada em seus princípios políticos, impedem o avanço civilizatório.

Em nosso contexto político e ideológico, estamos presenciando uma ofensiva política deste campo de pensamento, de direita, que está tornando público, cada dia mais, toda a sua ideologia política de destruição do outro com o objetivo de impedir toda e qualquer mudança social, seja uma pequena e limitada mudança social, mas que poderia implicar em uma pequena porém significativa mudança na vida de alguém que depende de políticas públicas para poder se alimentar e/ou ter condições mínimas para estudar e/ou entrar no mercado de trabalho.

Barbárie política e cultural impede avanço civilizatório
Barbárie política e cultural impede avanço civilizatório

Barbárie política e cultural impede avanço civilizatório

O professor Eduardo José Santos Borges (1), doutor em História Social, sobre as atitudes da direita que estão cada dia mais públicas, diz:

“Nosso racismo, eufemisticamente chamado de “democracia racial”, sempre esteve presente, mas em poucos momentos teve a coragem e o desplante de se fazer público.

Nossa homofobia, sempre se escondeu nas entrelinhas “ingênuas” das piadas de bichinha.

E o apoio e condescendência a temas que representassem a degradação humana, não passava de pauta de seitas estúpidas com pouca ou nenhuma representatividade social.

Hoje, entretanto, essa realidade retratada nos parágrafos anteriores já não mais existe.

Esta parcela da sociedade, que sempre existiu, mas nunca teve coragem de mostrar a cara, se empoderou.

A possibilidade do anonimato das chamadas redes sociais fizeram o papel de criar o ambiente propício e o sentimento de que eles não estavam sozinhos, e realmente não estavam.”

E que:

“Nesse momento, o país viu emergir o que tinha de pior em termos de degradação humana.
Contou, para isso, com a cumplicidade de uma mídia oportunista e pragmática.”

A ofensiva da direita iniciou, ainda discretamente, em 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu primeiro governo, com palavras e entonações de deboche sobre o fato de Lula ter perdido um dedo, enquanto metalúrgico, por não ter estudo formal, e por tantas outras coisas, inclusive ao dizer que ele adorava “cachaça”, e que mal sabia falar o português, como se tais coisas fossem aberrações sociais.

Criticas e ataques que a presidenta eleita Dilma Rousseff também sofreu, quando a chamaram-na de “vaca” e quando fizeram e usaram pelo Brasil afora, adesivos com a foto de Dilma com as pernas abertas na boca dos tanques de combustíveis dos carros, em que o frentista e/ou o próprio motorista introduzia a bomba de combustível entre o que seriam as pernas da Dilma. Simulando um estupro.

Não eram críticas políticas, era a ideologia política da direita vociferando seu ódio de classe, que não tolera a existência do outro indivíduo a não ser para ser seu escravo, para ser alguma coisa no qual indivíduos de direita pudessem usar e depois descartar.

E este ódio de classe foi crescendo assim que o governo Lula foi governando e implementando uma política altiva e soberana nas relações exteriores, e internamente, ia implementando políticas públicas de distribuição de renda, como, por exemplo, o Bolsa Família e programas que possibilitavam o indivíduo pobre entrar e se manter em uma universidade pública ou particular.

Apesar de que o pagamento de juros, por exemplo, aos rentistas fosse incomparavelmente superior aos destinados aos programas sociais.

E quando mais a presidenta Dilma ia intervindo na economia, mais os ataques de davam. Engana-se quem entenda que o ódio ideológico da direita se dá apenas no campo político partidário, muito pelo contrário, este ódio se dá, inclusive, nos crimes de gênero.

Barbárie política e cultural impede avanço civilizatório

Bruna Cristina Jaquetto Pereira (2), pesquisadora visitante da Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos, segundo o Justificando, diz que:

“Nós percebemos que a violência no Brasil não é um fenômeno que atinge a todas da mesma forma, muito pelo contrário, ela se constrói como um fenômeno social articulado em torno de gênero e raça, ou seja, a partir do racismo e do patriarcado.”

Barbárie política e cultural impede avanço civilizatório

Quando entendemos que a sociedade atual burguesa foi criada socialmente sob o alicerce do pensamento ideológico da direita, e que nesse sentido o Estado é o principal instrumento social para garantir e se fazer perpetuar os direitos e privilégios de uma determinada classe social, justamente aquela que odeia o outro e entende que as desigualdades sociais são um fenômeno social natural e, que por isso, entendem que há indivíduos mais humanos que outros, fica fácil entender que tais crimes e o acesso a tal Justiça, que faz parte da estrutura do Estado, e que por isso, existe também para perpetuar direitos e privilégios de uma determinada classe social.

Os crimes de gênero são um exemplo. Paula Sant’Anna Machado de Souza, coordenadora auxiliar do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres da Defensoria Pública do Estado de São Paulo e que trabalhou por três anos na Vara de violência doméstica de São Miguel, bairro da zona leste da cidade de São Paulo, presenciou a diferença do acesso da tal Justiça entre mulheres brancas e não brancas, conforme também o Justificando.

(1) BORGES, Eduardo José Santos. Brasil, Enem e direitos humanos: civilização ou barbárie?

(2) Mortes de mulheres no Brasil têm raça e classe definidas, dizem pesquisadores.

Essas mulheres negras têm uma série de obstáculos de acesso à Justiça mais do que mulheres brancas. Toda essa política que a gente vem discutindo desde a criação da Lei Maria da Penha, ela ainda tem uma cor, uma classe social à qual é destinada.

Não há, na direita, principalmente na direita brasileira, uma única pecha civilizatória, no sentido de igualdade social, inclusão, desenvolvimento social econômico e cultural, de liberdade para que outras pessoas se expressem e vivam de acordo com o que são realmente, e não de acordo com o corpo em que nasceram, por exemplo.

Respeitar o gênero e a liberdade do outro indivíduo é uma questão ideológica. Assim como a intolerância e o ódio de classe e de gênero também são questões ideológicas.

A esquerda respeita, inclui e pretende empoderar os indivíduos. A direita não respeita, não tolera e muito menos aceita o outro indivíduo, por isso, ela, através de seu ódio, ataca e tenta eliminar o outro indivíduo.

As diferenças políticas ideológicas entre a direita e a esquerda são completamente antagônicas. E enquanto existir uma sociedade de classes sociais, existiram estes dois campos políticos.

O direito a liberdade de expressão, de opinião, de culto e de reunião política, precisa, fundamentalmente, estar alicerçada em qual tipo ou modelo de sociedade que se pretende construir.

Nesse sentido, nada mais natural do que criticar energicamente e politicamente a postura do Judiciário, que em decisão política, como são as decisões do Judiciário, permitiu que alunos que fizeram as provas do ENEM 2017, pudessem destilar ódio contra outros seres humanos.

Em uma sociedade não burguesa, portanto, tentando construir uma sociedade civilizatória, atitudes e pensamentos de direita, tal qual o racismo, a xenofobia, o feminicídio, entre outros, deveriam ser punidos sem perdão de um falso humanismo, mas eliminados para não contaminar e/ou atrapalhar o processo social de construção de uma sociedade não burguesa e civilizatória.

Dia após dia, o Estado em nossa sociedade burguesa, através de suas instituições, nos dizem que estão fortes e que continuarão seu dever político e social para com a classe hoje hegemônica, de não permitir mudanças sociais, o que, na prática, significa que continuaremos em uma sociedade bárbara – e longe, muito longe de uma sociedade civilizatória do ponto de vista da esquerda.

Cláudio Ritser - autor de Política sem Ilusão
Cláudio Ritser – autor de Política sem Ilusão

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