Lula entre o ódio a ilusão e a realidade

Lula entre o ódio a ilusão e a realidade – Apesar dos intensos e constantes ataques a Luiz Inácio Lula da Silva por parte da direita brasileira, seja nos partidos políticos, na classe burguesa em si, na grande mídia, nas categorias profissionais, setores das igrejas católica e protestantes, ele continua sendo o principal nome e líder do campo da esquerda e popular, e viável eleitoralmente.

Neste momento político social econômico e cultural em que estamos vivendo, de explícita luta de classes, provocado pela fúria de classe da classe burguesa contra o mínimo de políticas públicas que objetivavam atender e proporcionar uma pequena melhora de vida aos mais necessitados, o ódio exacerbado contra Lula, contra Dilma e contra o PT encontra-se em níveis altíssimos.

Lula entre o ódio a ilusão e a realidade
Lula entre o ódio a ilusão e a realidade

Lula entre o ódio a ilusão e a realidade

Este ódio, que é um ódio de classe, construído pelas elites brasileiras contra Lula e contra o PT, existe desde a criação do Partido dos Trabalhadores, em 10/02/1980, pois o partido surgiu para promover mudanças na vida de trabalhadores e trabalhadoras, tanto da cidade, como no campo.

Pautando temas e projetos de interesse da grande maioria dos trabalhadores e trabalhadoras, desde a sua fundação, o PT e seu líder máximo, Lula, contribuíram significativamente e/ou foram decisivos no processo denominado de redemocratização,após o regime civil militar de 1964.

A vitória de Lula em 2002, em aliança com um dos grandes capitalistas brasileiros, José de Alencar, já falecido, não mudou a conjuntura política de classe, ou seja, por mais que o Partido dos Trabalhadores estivesse aliando-se politicamente há um setor da burguesia, o setor produtivo, ele não propunha ruptura com o capital especulativo.

Nada disso, porém, fez com que a conjuntura política viesse a se transformar. A luta de classes existia, continua a existir e em algum momento ela se tornaria explícita.

Mesmo com a vitória de Lula, nas eleições de 2002, com aliança com setores da burguesia interna, interessadas no aquecimento do mercado interno, fez com que houvesse uma pausa sequer nos ataques ideológicos contra Lula e o PT, pelo simples fato, do Partido dos Trabalhadores e Lula terem nascido e defenderem interesses concretos dos mais pobres.

A desconstrução da imagem de Lula e do PT, principalmente, deve-se pelo simbolismo e pela representação do que Lula e o Partido dos Trabalhadores representam para e pela classe trabalhadora, ou para e por parte de frações da classe trabalhadora.

Em outras palavras, o ódio ao Lula e ao PT é um ódio de classe, construído pela direita, e comprado como verdade absoluta por grande parte da classe trabalhadora, para aniquilar o maior personagem e seu partido político, impedindo, dessa forma, que seja eleito o próprio Lula e ou alguém do partido para promoverem políticas públicas de inclusão social e de desenvolvimento econômico e humano.

E uma possível candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018, depende exclusivamente de setores da direita no Poder Judiciário, e não da vontade da esquerda e/ou do PT.

Lula entre o ódio a ilusão e a realidade

Por mais que o Partido dos Trabalhadores esteja focado e esperançoso em uma possível candidatura de Lula à presidência da República em 2018, parece esquecer, o partido, de que houve um golpe em 2016 que destituiu a presidenta eleita Dilma Vana Rousseff.

Esse golpe, em meu entendimento, foi um golpe de Estado. E assim deveria ser encarado pelo PT, por Lula e pela militância do campo de esquerda.

Mas, não está. E se houve um golpe, e esse golpe só pode ser um golpe de Estado, então o campo político que movimentou, articulou e executou o referido golpe, que foi o campo da direita, não permitirá que alguém do campo da esquerda e popular seja o vencedor do pleito de 2018.

A ideia é simples: quem deu um golpe de Estado, não deu um golpe de Estado para logo em seguida deixar que outro campo político assuma o governo novamente, nem que o outro campo político que assuma o governo não tenha condições objetivas de fazer mudanças significativas.

A ilusão política vai nesse sentido, de achar que Lula será candidato, em sendo candidato, ganhará as eleições, tomando posse, promoverá mudanças no sentido de reverter todas as políticas aprovadas pelo Congresso Nacional e implementadas pelo governo golpista de Michel Temer.

Talvez a maior ilusão seja colocar Luiz Inácio Lula da Silva como uma figura de salvador da pátria, esquecendo que é preciso ter maioria hegemônica de parlamentares do campo da esquerda, na Câmara dos Deputados, quanto no Senado Federal.

Aliado à maior ilusão, conforme vimos acima, está, ainda, em não perceber que as condições objetivas, que são as questões orçamentárias, de pessoal e de tamanho do Estado, estarão piores do que as condições encontradas quando Lula e o PT assumiram,encabeçando o governo, em 2003.

Este cenário objetivo das condições que serão encontradas, pelo próximo vencedor do pleito de 2018, principalmente e, sobretudo, se for alguém do campo da esquerda, encontrará grandes dificuldades para implementar uma política de inclusão e de desenvolvimento econômico e social.

Esta não é uma visão pessimista e nem derrotista, mas apenas, realista. O cenário real, sem ilusões políticas, dá-se pelo impedimento da candidatura de Lula,caso ele seja candidato, e se ganhar terá grandes dificuldades pela frente, inclusive, como Congresso Nacional que deverá permanecer hegemonicamente de direita,independente de partidos e de número de partidos que lá estiverem assento.

Isso significa que a possibilidade das coisas continuarem como estão, com todas as medidas tomadas pelo governo golpista de Temer, com o aval do Congresso Nacional, são grandes.

E Lula e o PT não irão para o confronto com o capital, que foram os grandes protagonistas políticos ideológicos do golpe de Estado de 2016.

E pelo que tudo indica,também não irão para o confronto com partidos e indivíduos que ajudaram a dar o golpe de Estado, via conspiração parlamentar.

A realidade com uma possível candidatura de Lula, e uma possível presidência sua, será mais do mesmo, pois a conjuntura continua a mesma, não sendo possível uma ruptura institucional com partidos que compõem e que formará a nova legislatura do Congresso Nacional a partir de 2019, assim como não é possível uma ruptura com o mercado.

Lula entre o ódio a ilusão e a realidade

O golpe de Estado, via conspiração parlamentar,de 2016, deixa como lição que se houver vontade política da classe burguesa, eles são capazes de destituir presidentes para atender seus objetivos de classe.

No entanto, Lula continua sendo o principal nome, e viável eleitoralmente, do campo da esquerda e popular para possíveis eleições em 2018.

Caso Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer às eleições, o campo da esquerda e popular tende a ser a grande prejudicada, pois os que votam em Lula, não votam nele por questões ideológicas, mas tendem a votar nele por uma identificação pessoal e por refletirem de que foram políticas públicas do seu governo que lhes ajudaram de alguma forma.

Um outro nome,do PT ou apoiado pelo Partido dos Trabalhadores, não deverá ter a mesma votação que Lula já teve em eleições passadas.

Talvez até mesmo Lula, por conta dos ataques e do ódio de classe cada dia mais intenso, após ele ter deixado a presidência da República,em 2010.

Em outras palavras, os votos que elegeram Lula e Dilma nunca foram votos ideológicos, caso fossem, nunca diminuiria a votação nos candidatos e candidatas majoritárias do Partido dos Trabalhadores.

 

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