Mesmo com recuo das Sindicais dia 5 terá mobilizações

Mesmo com recuo das Sindicais dia 5 terá mobilizações – seguindo uma agenda do governo, enquanto deveria ter sua própria, CUT, e demais centrais sindicais adiam a greve e as mobilizações do dia 5 de dezembro.

A Frente Brasil Popular e o Povo Sem Medo, porém, irão manter as manifestações do dia 5/12 como forma de pressionar os golpistas.

É elogiável que essas duas Frentes ignoraram a agenda do governo golpista. E é lamentável que, principalmente a CUT, dentre outras centrais sindicais, tenha preferido ficar “aguardando” os passos do governo golpista.

Daí, a razão de muitos companheiros e camaradas de esquerda estarem totalmente decepcionados com a atitude da burocracia que comanda a CUT.

Abaixo, um texto que vem a calhar pelo momento triste por qual passamos, com tantas perdas de direitos, e as Centrais Sindicais, negociando com golpistas.

Mesmo com recuo das Sindicais dia 5 terá mobilizações
Mesmo com recuo das Sindicais dia 5 terá mobilizações

Mesmo com recuo das Sindicais dia 5 terá mobilizações

O papel histórico do pelego.

Alberto Guerreiro Ramos, no começo dos anos 60, ao analisar o papel do pelego e do peleguismo no movimento sindical brasileiro, afirmou que o peleguismo “impede a classe trabalhadora de usar toda sua força na luta política”.

Atuando como uma espécie de “inimigo interno”; o peleguismo sobrevive em estruturas burocratizadas e com tendências à autonomização das bases, pauta sua atuação política numa lógica de conciliação, repúdio ao confronto e expressa uma insuperável desconfiança das massas.

Para o pelego nada pode ser pior que a dinâmica de um movimento de luta que foge ao roteiro das negociações de sempre.

O Pelego precisa fingir que luta, cumprir certos rituais com tons teatrais (como ameaçar com uma greve ou realizar uma greve sem mobilizações e enfrentamentos), mas nunca, sob hipótese alguma, perder o controle do movimento de massa.

Fazendo uma metáfora médica: o peleguismo é como uma espécie de câncer em metástase que vai minando as forças de um lutador enquanto ele está em combate.

A decisão das centrais sindicais (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB) de cancelar a greve geral do dia 05 porque a votação da contrarreforma da previdência foi adiada é um exemplo mestre da análise de Guerreiro Ramos.

Na lógica do peleguismo, a greve geral não é um instrumento de luta visando uma politização crescente da classe trabalhadora, mas um instrumento de barganha, uma peça de ameaça em negociações de gabinete.

O peleguismo também não vê problema em subordinar a dinâmica da classe trabalhadora ao calendário do legislativo operando numa lógica estranha: mostrar peso de rua apenas no dia da votação e não antes buscando intimidar os parlamentares e paralisar o país.

Na lógica do peleguismo não é concebível atuar com a centralidade na luta de massa buscando aumentar a temperatura política das ruas e canalizar toda a gigantesca insatisfação social existente em luta.

Atuações de rua sequenciais podem, se derem certo, criar uma dinâmica de massas autônoma ao controle das estruturas sindicais oficiais e tudo que o pelego menos quer é isso.

O peleguismo, sempre pensando em cargos e benesses, não quer uma radicalização da luta política há poucos meses da eleição.

Tudo se passa num clima teatral: fingir que luta buscando capitalizar a insatisfação social com o Governo Temer para gerar capital eleitoral para 2018 e com a graças do Messias (NR: não confundir com aquele outro!) voltar ao Governo Federal e restabelecer o imposto sindical.

A questão básica, mas fundamental, de que várias categorias já tinha feito assembleias e aprovado sua paralisação e que esse recuo vai desmobilizar uma greve agora dia 05 e enfraquecer qualquer mobilização para dia 16 não é considerada.

A base, para o pelego, só é importante em momento de eleição sindical.

Enquanto na Argentina o movimento sindical – que está longe de ser um exemplo de sindicalismo revolucionário – mobiliza 300 mil para uma gigantesca marca em Buenos Aires contra o Governo Macri, no Brasil, o movimento sindical resolve esperar o andar das maquinações de corredor do Congresso.

O peleguismo, esse câncer, ainda irá nos matar.

face de Gean Carlos Roth

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