O fato de acreditar é um ato de fé mas na política não

O fato de acreditar é um ato de fé mas na política não – Fé e a Política – Algo que me incomoda muito é quando leio ou escuto comentários dizendo que”eu acredito na democracia”, ou “eu acredito que a Justiça vai fazer a sua parte” ou ainda “eu acredito que Lula vai disputar e ganhar as próximas eleições”…e assim por diante.

O fato de acreditar é um ato de fé mas na política não

O fato de acreditar é um ato de fé mas na política não
O fato de acreditar é um ato de fé mas na política não

O fato de acreditar é um ato de fé. A fé não precisa ter rastro
na realidade, ou seja, não precisa ter materialidade. O indivíduo
crê e ponto.

Muito diferente é a política que vive da materialidade, daquilo que
é concreto,do real.

Na política não basta ter fé, não basta acreditar. Na política é
preciso criar ascondições necessárias para se fazer ou tentar fazer
algo.

E por que é assim com a política? Porque a política é a essência das
relações humanas.

Ou seja, é o viver entre homens e mulheres em sociedade que se criam
ou não condições concretas para se acabar com a fome, com a seca com
o desemprego, com a miséria ou, por outro lado, se criam as condições
para se manter ou aumentar a fome, a seca, o desemprego e a miséria.

Quando alguém diz que está muito doente, e diz ter fé, que a sua fé vai
lhe salvar, porque ele crê em um ser superior, e renega o mundo real
dos tratamentos médicos, é quase certeza que irá falecer.

Mas, se ele tiver fé e mesmo assim seguir um tratamento médico adequado,
suas chances de melhora e/ou de cura são bem maiores.

O fato de acreditar é um ato de fé mas na política não

O que eu quero dizer com este meu comentário é que ter fé em uma
democracia – que já não existe deste 2016, no Brasil –; numa candidatura
e possível vitória de Lula nas próximas eleições; acreditar que a Justiça
não terá como impedir Lula de se candidatar, entre outros aspectos,
inclusive acreditar que é capaz de derrotar o golpe de 2016 via eleições,
é negar a realidade completamente desfavorável à esquerda.

Indivíduos do campo da esquerda ou progressistas, por estarem
conscientemente fazendo política no seu cotidiano, precisam estar atentos
à realidade, se baseando naquilo que é concreto, na materialidade.

E a realidade nos diz que a situação para o campo da esquerda, no qual o
Partido dos Trabalhadores é o principal partido eleitoralmente construído
pela sociedade brasileira, e para Lula, a principal liderança política e
eleitoral deste campo político, é extremamente penosa.

É claro que, diante de uma situação tão difícil e penosa, não devemos cruzar
os braços, mas lutarmos sabendo que o pior dos mundos é o mais provável que
aconteça.

Ou melhor, o pior dos mundos já aconteceu em 2016, quando o campo político da
direita deu um golpe de Estado no Brasil, ao destituir a presidenta eleita
Dilma Rousseff, e tudo o que aconteceu e que está acontecendo são
consequências do golpe.

Que possamos abandonar a ilusão da fé sem trabalho, sem obras, mas que possamos
fazer igual ao exemplo acima, de um indivíduo doente que não tem fé apenas, mas
que alia sua fé, sua esperança no tratamento médico adequado.

Quem tem fé, que continue tendo. Mas que esta fé seja sempre subordinada à
realidade, à materialidade, no que tange a política.

Os do campo de esquerda e progressista que tem fé, que acreditam, precisam, ao
atuarem politicamente, subordinar sua fé, seu ato de acreditar à realidade.

Nunca negar a realidade que é tortuosa nesse período histórico, mas estar, cada
um tentando fazer a sua parte para criarmos as condições políticas concretas
para termos Lula candidato e possível vencedor do pleito deste ano – caso haja
mesmo eleições neste ano.

Meu entendimento é que Lula será impedido de se candidatar porque o Judiciário
continuará sendo célere em julgar questões envolvendo o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, e por mais que haja pareceres jurídicos dizendo que mesmo
sendo condenado em segunda instância, Lula poderá concorrer e fazer campanha, no
entanto, o Judiciário atuará politicamente para que isso não ocorra.

Ou seja, em meu entendimento, o Judiciário fará a sua parte, assim como fez no
golpe de 2016, para que a foto de Lula não conste na urna eletrônica.

De alguma forma, os que deram o golpe de Estado de 2016, não permitirão que a
esquerda volte ao governo federal tão rapidamente.

Mesmo com o meu entendimento acima, eu não cruzo os braços e o que posso fazer,
diante das dificuldades e limitações do cotidiano, eu faço.

Mas sem ilusão, sem fé cega em um amanhã, que tudo indica, continuará sendo
tenebroso.

Cláudio Ritser - autor de Política sem Ilusão
Cláudio Ritser – autor de Política sem Ilusão

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: