Para que e para quem serve a austeridade fiscal Desemprego

Para que e para quem serve a austeridade fiscal – Hoje, pela milésima vez, ficaram comprovados os danos sociais causados pela austeridade fiscal. Segundo dado divulgado pelo Banco Central (IBC-Br), a economia, no primeiro trimestre deste ano, teve um recuo de 0,13% na comparação com o último trimestre de 2017.

O indicador frustrou o mercado que esperava a retomada do crescimento. O dado é ainda pior se lembrarmos que viemos de uma recessão acumulada de 5,94% nos últimos três anos, ou seja, o Governo Temer, mais uma vez, prova que o poço não tem fundo.

Essa dinâmica está tendo um impacto social extremamente destrutivo que se manifesta, principalmente, nos índices de desemprego: hoje temos quase 6,5 milhões de desempregados a mais que em 2014 (ano que marcou a virada à austeridade) portanto um aumento de 96,2%.

Apesar do desastre social, há os que continuam defendendo a política de austeridade do Governo Temer. Segundo os defensores da austeridade, o desemprego é mero efeito colateral do necessário controle da dívida pública via ajuste fiscal.

Para que e para quem serve a austeridade fiscal
Para que e para quem serve a austeridade fiscal

Para que e para quem serve a austeridade fiscal

Acontece que é justamente após a imposição do programa de austeridade que a dívida pública explode: se em 2014 a dívida líquida em relação ao PIB era de 32,59%, em dezembro de 2017, três anos após a imposição de um forte ajuste fiscal (que recaiu, principalmente, sobre as despesas discricionárias) a dívida líquida chegou ao patamar de 52,6% do PIB.

Ainda vale destacar que nos três anos de ajuste fiscal (2015-2017) acumulamos os maiores déficits primários da nossa história. A defesa da austeridade como mecanismo de controle da dívida é totalmente desmontada por uma breve análise dos dados.

O resultado acima, apesar de parecer contraditório, possui uma explicação razoavelmente simples: em meio à uma crise crônica que conjuga desemprego elevadíssimo com queda brutal dos salários, há uma forte e óbvia queda da demanda das famílias por bens e serviços, logo as empresas acumulam estoques, reduzem investimentos e ampliam as demissões.

Se o Estado também cortar os gastos que seriam direcionados para as famílias e empresas, a economia entra em parafuso.

Com todos os agentes cortando gastos ao mesmo tempo, inclusive o Estado, não há caminho possível para o crescimento.

Fora isso, com a queda na renda das empresas e famílias, a arrecadação do Estado também despenca, deteriorando ainda mais o resultado fiscal.

A pergunta que resta é: se a austeridade fiscal gera desemprego e deteriora as contas públicas, para que serve o ajuste fiscal? A explicação está na velha economia política, na luta de classes.

O primeiro efeito da austeridade é o aumento do desemprego. E desemprego muda a correlação de forças entre trabalhadores e patrões: o medo do desemprego é “disciplinador”.

O patrão recupera a disciplina nas “fábricas”. Dada a mudança na correlação de forças, os salários também despencam.

Além disso, a austeridade esmaga a capacidade do Estado em financiar o seu funcionamento básico, abrindo caminho para o setor privado atuar (aqui também está inclusa a previdência).

O desemprego e o desmonte do Estado são os grandes objetivos da austeridade. Sendo assim, lutar contra a austeridade, acima de tudo, é lutar contra o desemprego.

Artigo de: David Deccache, é mestre em Economia

A prévia do PIB do primeiro trimestre : para que serve a AUSTERIDADE?

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